Uma das coisas mais interessantes quando se trata da história dos vídeo games é poder ver como eram feitas as campanhas de marketing de cada console. Especialmente na Segunda Geração as propagandas na televisão começaram a se tornar populares. Puxadas pela Atari, que investia pesado em campanhas de marketing para promover o Atari 2600, as demais empresas entraram na onda e começaram a se arriscar não só no mercado de games, mas também no mercado publicitário.
Abaixo estão algumas “pérolas” da Segunda Geração.
O Fairchild Channel F foi o primeiro console a utilizar cartuchos na história. E para promover o console, nada melhor do que falar da comodidade dos cartuchos em seus comerciais.
O Atari foi o console mais popular da segunda geração e um dos mais populares de todos os tempos. A Atari apelava bastante pela popularidade dos jogos, velhos conhecidos dos arcades na época. Aproveitando esse “potencial”, a Atari investiu pesado em comerciais e o Atari acabou sendo o console que mais apareceu na mídia naquela época.
A Atari ainda fazia uso pesado da imagem da família se divertindo em um Atari 2600. Em muitos comerciais o Atari era mostrado até mesmo como um membro da família que poderia “cuidar” das crianças, sem que os pais precisassem contratar uma “babysitter”:
Nem mesmo com a crise da indústria dos vídeo games a Atari desistiu de vender o seu console. Dessa vez o foco das campanhas eram os baixos preços do console (o mais barato de todos na época) e a grande diversidade de jogos disponíveis para a plataforma, o que gerava o melhor custo/benefício para o consumidor. Confira o comercial feito em 1984:
O Odyssey chegou logo em seguida no mercado e, tentando combater o Atari, lançou um personagem chamado “Wizard of Odyssey 2” que tinha um ar de louco e ficava apresentando as vantagens do Odyssey 2 – tais como o teclado, o apetrecho "The Voice”, entre outros. Apesar da boa idéia de criar um personagem para o console, os comerciais não emplacaram da maneira que deveriam.
A Mattel foi uma das poucas empresas que investiu pesado em propaganda para promover o Intellivision e tentar convencer os gamers de que o console era superior ao super popular Atari (o que realmente era). Adotando uma estratégia agressiva de marketing, a Mattel criou um personagem chamado “Mr. Intellivision” que fazia comparações entre os jogos do Intellivision e o Atari, um ao lado do outro, mostrando a superioridade gráfica do console. A estratégia convenceu e vendeu – o Intellivision vendeu mais de 3 milhões de unidades e só perdeu para o Atari.
O ColecoVision, como todos os outros, prometia ser melhor que o Atari e trazer toda a experiência dos arcades para dentro de casa. Para tanto, seus comerciais não eram focados unicamente no console, mas sim nos games de arcade que o console possuia.
Além disso, a Coleco ainda destacava a versatilidade do seu console, mostrando a enorme quantidade de periféricos que o console possuia e o que eles poderiam fazer.
Analisando os comerciais, percebe-se que até o surgimento do Intellivision os consoles buscavam puxar a “sardinha para o seu lado” – o clima era um tanto amistoso: cada um mostrava o que tinha de melhor e pronto. Com a chegada do Intellivision a publicidade dos consoles ficaram mais agressivas, com comparações diretas entre um console e outro, citações e tudo o mais. Não tenho certeza, mas acredito que essa tenha sido a única época em que campanhas de marketing tenha tomado esse formato tão agressivo. De uma maneira ou de outra, o ColecoVision deixou isso um pouco de lado (mas não completamente) e focou num formato de divulgação que é mais ou menos o padrão de hoje: divulgação de jogos e como eles se sobressaem em suas plataformas.
Mas mesmo assim a indústria ainda tinha muito o que evoluir. Os comerciais chegam a ser um tanto bobos para a realidade de hoje, mas funcionavam. Ao longo da nossa história iremos conferindo como as campanhas evoluiram e amadureceram, deixando de lado o foco infanto-juvenil (que praticamente dominava essa época) para encorpar um formato mais adulto.
Cá entre nós, alguns deles eram toscos pra caralho heim rs.



Muito legais as propagandas, adorei. A gente pode ler muito sobre o assunto, mas ver uns comerciais da época é essencial para entender o clima daqueles tempos.